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Os benefícios do parto normal em relação à cesárea de hora marcada | Virada da Lua
Virada da Lua

Os benefícios do parto normal em relação à cesárea de hora marcada

(18/08/2010)

“É a mulher, a deusa, que conhece o segredo da criação, o segredo da vida, da morte e do renascimento.”
M. Eliade

A gravidez, desde as condições da concepcão, do desenvolvimento do feto até o momento do parto, constitui um processo significativo. Para a mulher, porque irá marcá-la por toda a sua vida; para a criança, porque determinará, em parte, como irá enfrentar o mundo. O parto é um dos mais complexos acontecimentos humanos, do qual participam a mãe, o bebê e, quase sempre, um(a) obstetra.

Segundo a medicina tradicional chinesa, acredita-se que parte do nosso Jing (essência, vitalidade) é proveniente das energias celestiais do pai e da mãe. Chamado de Jing pré-celestial, é esta essência que irá nutrir o feto durante a gravidez juntamente com a nutrição da mãe. É ele que determinará a constituição básica de cada ser humano, sua força e vitalidade. Portanto, as condições da gestação e do momento do parto irão determinar como será o Jing da criança.

A protagonista desse processo, a mulher, deixa de ser apenas filha, torna-se mãe, amplia seu papel na sociedade, o que lhe proporciona possibilidades de crescimento espiritual e existencial. A participação do bebê é efetiva, mas inconsciente. O profissional da saúde pode utilizar práticas obstétricas, no intuito tanto de facilitar o parto como para resguardar a parturiente e o bebê, de possíveis riscos. No entanto, apesar do desenvolvimento da Obstetrícia, é a mulher que deve, de fato, dar à luz. Ela deve parir e não “ser parida”. O processo deveria ser protagonizado pela mulher e não pelo obstetra.

A cesariana é uma cirurgia maravilhosa que pode salvar a vida de bebês e de mães, mas deve ser entendida como uma intervenção de resgate e, só nesse caso, deve ser utilizada. A antecipação do nascimento antes do início do trabalho de parto pode aumentar o risco de doenças respiratórias para o bebê, admitiu o Ministro da Saúde em entrevista. É claro que existem casos, embora sejam a minoria, em que a cesárea tem indicação clara e indiscutível, pois pode salvar vidas.

Por outro lado, a maioria das mães desconhece os benefícios do parto normal, além de associá-lo a sensações dolorosas e traumáticas. Entenda-se aqui parto normal, o parto que ocorre por via vaginal, tanto aquele natural (sem nenhuma intervenção), como aquele em que existam intervenções (necessárias ou desnecessárias, mas isso será discutido numa próxima oportunidade).

Todavia, é possível ter um parto normal, seguro e pouco doloroso. Durante a gestação, nas consultas de pré-natal, mãe e pai devem receber do médico orientação para desfazer dúvidas e medos, a fim de se sentirem seguros e confiantes durante o trabalho de parto e no parto propriamente dito. “O saber esperar” e o início do parto já constituem um precioso exercício para a mãe que deseja um parto normal. O depoimento de mulheres que tiveram partos normais também ajudam as futuras mães a dirimir dúvidas e, geralmente, esses depoimentos, surtem mais efeito e convencem mais do que as explicações teóricas dadas pelos médicos. Técnicas respiratórias e exercícios físicos também colaboram para que o trabalho de parto seja uma experiência de entrega do corpo à própria natureza mamífera da mulher, possibilitando um parto mais natural.

Todavia, fique claro que a expectativa de um parto normal pode culminar em uma cesárea, o que deve ser previamente explicado pelo médico. É óbvio que nesse caso a criança não será menos saudável.

O parto normal, no entanto, oferece diversas vantagens em relação à cesariana. Além da participação efetiva da mãe no nascimento, trata-se de um processo mais fisiológico (“mais natural”), e não um ato cirúrgico. O envolvimento psicológico da mulher é mais intenso. O parto normal também tem menos riscos de complicações infecciosas, uma vez que, mesmo naqueles partos onde há episiotomia, não existe abertura da cavidade abdominal e exposição de vísceras. E, graças à analgesia e algumas outras técnicas, é possível minimizar o desconforto que as contrações trazem às pacientes. Pode-se alcançar um parto totalmente sem dor, mantendo-se a ritmicidade das contrações, a liberdade da paciente em permanecer em posições nas quais se sinta mais confortável, sem interferir na evolução do trabalho de parto. O parceiro pode acompanhar a mãe durante todo o trabalho de parto, participando e apoiando a mesma durante as contrações, simplesmente com a sua presença, ou com massagens e palavras de incentivo. Para uma maior interação entre mãe e filho e a própria amamentação na primeira hora de vida, logo após o nascimento, a criança deve ser aninhada no colo da mãe o mais precocemente possível, pois é importante para o bebê o contato com a respiração e o calor que emana da pele da mãe, já que é o tato o sentido mais aguçado do recém-nascido.

A recuperação no pós-parto também é mais rápida, com menos dor pós-operatória, menos distensão abdominal e retorno das funções fisiológicas mais precoce. A mãe pode retornar mais rapidamente a sua vida cotidiana e assim cuidar do recém-nascido com mais disposição.

Ao longo do trabalho de parto, a mulher perde considerável quantidade de energia vital essencial. É necessário que a parturiente esteja emocionalmente preparada e equilibrada para a fase de puerpério, quando poderá desesperar-se com o cansaço, com as possíveis dificuldades da amamentação, com sua própria aparência física, etc.

Para que a mulher possa dar à luz, é preciso dar a ela segurança e privacidade e que esteja cercada de pessoas amigas que entendam suas necessidades…

“Que abrace o bebê em vez de olhá-lo.” (F. Leboyer)

Dra. Deborah Klimke é médica obstetra e mãe de dois filhos nascidos de parto normal.

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